A hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ainda desperta dúvidas, receios e julgamentos equivocados, mesmo sendo uma condição conhecida pela medicina há décadas. No cenário atual, a desinformação segue como um dos principais fatores que atrasam o diagnóstico e dificultam o enfrentamento da doença no cotidiano da população.

O Brasil ocupa a segunda posição no mundo entre os países que mais registram novos casos desta condição, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse número reforça a necessidade de ampliar o debate público, esclarecer sinais de alerta e combater narrativas equivocadas que ainda cercam o tema.

“Alguns mitos comuns são achar que a doença é muito contagiosa e que pega fácil ou instantaneamente, pensar que não tem cura, acreditar que quem tem hanseníase deve ser isolado e confundir com falta de higiene. Tudo isso é falso e reforça o preconceito”, afirma Cláudia Cisneros, médica da área de dermatologia do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS.

Como a hanseníase se manifesta

Segundo Cláudia Cisneros, a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para o controle da doença. A profissional explica que “a transmissão da doença ocorre por meio das vias aéreas, a partir do contato próximo e prolongado com secreções nasais, gotículas da fala, tosse ou espirro de pacientes sem tratamento”.

A médica destaca que, além de eliminar a bactéria, o início rápido da medicação impede a progressão da doença e reduz drasticamente o risco de complicações. “O diagnóstico precoce evita sequelas, deformidades e danos nos nervos, além de interromper a transmissão”, explica.

Entre os principais sinais de alerta para hanseníase, Cláudia Cisneros destaca:

  1. Manchas na pele que não coçam e não doem e geralmente são acompanhadas de perda de sensibilidade ao toque, ao calor e frio, à dor ou a pequenos ferimentos;
  2. Formigamento ou dormência persistente, especialmente em mãos, pés ou outras regiões do corpo;
  3. Diminuição da força muscular, principalmente nas mãos ou nos pés, o que pode impactar atividades do dia a dia;
  4. Feridas que demoram a cicatrizar, muitas vezes associadas à falta de sensibilidade na pele.
Laço roxo disposto em formato de fita de conscientização sobre a hanseníase
A conscientização é essencial para esclarecer dúvidas, reduzir o preconceito e mudar a forma como a doença é percebida pela sociedade (Imagem: Fabian Montano Hernandez | Shutterstock)

Mitos e verdades sobre a hanseníase

Ainda cercada por muitos estigmas, a médica ressalta que a informação é uma aliada poderosa para o combate à hanseníase. Confira mitos e verdades sobre a doença:

1. Hanseníase é uma doença altamente contagiosa e de fácil transmissão

Mito. A transmissão ocorre apenas por contato próximo e prolongado com uma pessoa sem tratamento. O convívio casual não transmite a doença.

2. O tratamento impede a transmissão da doença

Verdade. Após iniciar o tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença e pode manter sua rotina normalmente, sem necessidade de isolamento social.

3. É possível pegar hanseníase por abraço, aperto de mão ou beijo

Mito. O contato físico comum, como abraçar, cumprimentar, compartilhar talheres ou roupas, não transmite a hanseníase, mas, sim, o contato prolongado com secreções e gotículas de saliva de pacientes sem tratamento.

4. Hanseníase tem cura

Verdade. A hanseníase tem cura e o tratamento é feito com antibióticos.

5. A doença está relacionada à falta de higiene

Mito. A hanseníase não está associada à sujeira ou falta de cuidados pessoais, trata-se de uma infecção bacteriana.

Como prevenir a hanseníase

A prevenção da hanseníase está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce, ao início rápido do tratamento e ao acompanhamento das pessoas que convivem com o paciente. Como a transmissão ocorre principalmente em contatos próximos e prolongados com indivíduos sem tratamento, identificar a doença nos estágios iniciais é a principal estratégia para interromper a cadeia de contágio e evitar sequelas físicas.

Cláudia Cisneros destaca que “a vigilância de contatos, a atenção aos primeiros sinais na pele e a busca por atendimento médico são medidas essenciais para o controle da doença”. Além disso, hábitos saudáveis e informação de qualidade ajudam a reduzir o risco de infecção e a combater o preconceito ainda associado à hanseníase.

Entre as principais medidas de prevenção, estão:

  1. Investigação de contatos próximos: pessoas que convivem na mesma casa ou têm contato frequente com alguém diagnosticado devem procurar avaliação médica, mesmo que não apresentem sintomas;
  2. Diagnóstico precoce: identificar a doença nos estágios iniciais é fundamental para interromper a transmissão, evitar danos nos nervos e prevenir deformidades permanentes;
  3. Busca imediata por atendimento médico: ao notar manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento ou dormência persistente, é essencial procurar um profissional de saúde o quanto antes;
  4. Manutenção da higiene e fortalecimento da imunidade: hábitos como boa alimentação, cuidados básicos de higiene e rotina saudável contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico;
  5. Conscientização e combate ao preconceito: informar-se sobre a hanseníase, compreender que ela tem cura e que o tratamento interrompe a transmissão ajuda a reduzir o estigma e incentiva mais pessoas a buscar diagnóstico e tratamento.

Por Nayara Campos