Enquanto o Ocidente vira o calendário à meia-noite do dia 31 de dezembro, outras culturas aguardam um sinal mais profundo da natureza para iniciar um novo ciclo. É o caso do Horóscopo Chinês, um sistema milenar de leitura do tempo que se baseia nos movimentos combinados do Sol e da Lua, e não apenas em uma data fixa.
Diferentemente da astrologia ocidental, que se organiza a partir dos signos solares, o Horóscopo Chinês observa o ritmo dos ciclos naturais. Ele é estruturado a partir de doze animais, cinco elementos e um calendário lunissolar que marca a qualidade energética de cada ano. O objetivo não é prever destinos individuais, mas compreender o clima coletivo do tempo que se abre.
Por isso, o Ano Novo Chinês nunca começa em 1º de janeiro. Ele ocorre na Lua Nova, que marca o início da primavera energética no hemisfério norte, geralmente entre o final de janeiro e o mês de fevereiro. Esse momento simboliza, na prática, uma mudança real de ciclo, quando o movimento da natureza sinaliza que algo novo começa a se manifestar.
O ano só começa quando a energia muda
Na visão oriental, o ano só começa quando a energia muda. Antes disso, a Terra ainda está em transição, fechando processos, reorganizando forças, preparando o terreno. É uma lógica muito diferente da pressa ocidental por “virar a página”, mesmo quando o campo ainda pede recolhimento.
Cada ano no Horóscopo Chinês é regido por um animal e um elemento, combinação que se repete apenas a cada sessenta anos. Esse par indica tendências coletivas que influenciam comportamento, economia, relações sociais, espiritualidade e modos de agir no mundo. Não se trata de fatalismo, mas de leitura de contexto: compreender o tempo para agir com mais consciência dentro dele.

Tendências para o Ano do Cavalo
Em 2026, a partir de fevereiro, inicia-se o Ano do Cavalo de Fogo. Esse animal simboliza movimento, liberdade, expansão e desejo de autonomia. O elemento Fogo amplia essas características, trazendo intensidade, visibilidade e necessidade de ação coerente. É um ciclo que favorece lideranças autênticas, projetos autorais e caminhos que pedem coragem para sair do lugar, mas que também exige atenção aos excessos e à impulsividade.
Como caminhar em harmonia com o tempo que se apresenta?
Dentro de leituras mais conectadas à espiritualidade natural, o Horóscopo Chinês dialoga com a observação dos ciclos lunares, com o ritmo do corpo e com a escuta do tempo interno. Ele propõe algo simples e profundo: alinhar escolhas humanas ao movimento real da vida, em vez de lutar contra ele.
Mais do que prever o futuro, o calendário chinês oferece uma pergunta essencial para cada novo ciclo: como caminhar em harmonia com o tempo que se apresenta? Esse talvez seja o maior ensinamento que ele deixa para um mundo acostumado a correr sem escutar os sinais da Terra.
Por Tânia Gori

CEO da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa e presidente da Associação Brasileira de Bruxaria. Astróloga, Numeróloga e escritora. Fundadora da convenção de Bruxas e Magos da América Latina.